Era mais uma noite igual a todas, uma rotina fria, sem coração. A mente dava suporte a um corpo inerte, a promessa do futuro era a sua salvação. A única coisa que tinha que fazer era esperar, esperar, esperar e esperar...
Esperou. A hora chegou. Por toda a sua vida, planejara aquele momento. Seus olhos brilhavam. A respiração estava ofegante e, ao mesmo tempo, as cores voltavam. Sim, podia mexer-se, podia abrir os braços e deixar que o vento limpasse a sua alma. Realmente, era o futuro.
Horas depois, já havia se acostumado com aquela nova realidade, já não via tantas cores e os movimentos voltavam a ficar limitados. Esse futuro trouxe consigo novos horizontes, era hora de sonhar mais alto, sonhar com um novo troféu para a sua inútil galeria. Era hora de se dedicar.
Em busca de seus novos sonhos, esqueceu de plantar a felicidade perto de si, plantou-a lá na frente; lá onde os sonhos chegam primeiro para reconhecer o terreno e preparar o caminho a ser trilhado; não sabia o porquê, sabia que era para ser assim e assim foi. Dedicou-se, esqueceu de viver, abriu mão de sua felicidade pelo futuro e, por toda a sua vida, deixou a felicidade escapar em vão, morrendo consigo na mão.
Deco =)
