domingo, 29 de março de 2009
A difícil arte de ouvir
Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massas como a interpessoal, é o de como o receptor, ou seja, o outro, ouve o que o emissor, ou seja, a pessoa, falou. Raras, raríssimas são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo.
Diante desse quadro, venho desenvolvendo uma série de observações.
1) Em geral, não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que ele não está dizendo.
2) Não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que se quer ouvir.
3) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que já se escutara antes e o que se acostumou a ouvir.
4) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que se imagina que o outro ia falar.
5) Em uma discussão, em geral, não se ouve o que o outro fala. Ouve-se quase que só o que se pensa para dizer em seguida.
6) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que se gostaria que o outro dissesse.
7) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se apenas o que se está sentindo.
8) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que já se pensava a respeito daquilo que o outro está falando.
9) Não se ouve o que o outro está falando. Retira-se da fala dele apenas as partes que tenham a ver com a pessoa.
10) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que confirme ou rejeite seu prórpio pensamento. Ou seja, transforma-se o que o outro está falando em objetode concordância ou discordância.
11) Não se ouve o que o outro está falando. Ouve-se o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva, ou ódio que já se sentia por quem está a falar.
12) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se da fala dele apenas os pontos que possam fazer sentido para as idéias e pontos de vista que, no momento, nos estejam influenciando ou tocando mais diretamente.
Ouviu?
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Em busca da felicidade
Era mais uma noite igual a todas, uma rotina fria, sem coração. A mente dava suporte a um corpo inerte, a promessa do futuro era a sua salvação. A única coisa que tinha que fazer era esperar, esperar, esperar e esperar...
Esperou. A hora chegou. Por toda a sua vida, planejara aquele momento. Seus olhos brilhavam. A respiração estava ofegante e, ao mesmo tempo, as cores voltavam. Sim, podia mexer-se, podia abrir os braços e deixar que o vento limpasse a sua alma. Realmente, era o futuro.
Horas depois, já havia se acostumado com aquela nova realidade, já não via tantas cores e os movimentos voltavam a ficar limitados. Esse futuro trouxe consigo novos horizontes, era hora de sonhar mais alto, sonhar com um novo troféu para a sua inútil galeria. Era hora de se dedicar.
Em busca de seus novos sonhos, esqueceu de plantar a felicidade perto de si, plantou-a lá na frente; lá onde os sonhos chegam primeiro para reconhecer o terreno e preparar o caminho a ser trilhado; não sabia o porquê, sabia que era para ser assim e assim foi. Dedicou-se, esqueceu de viver, abriu mão de sua felicidade pelo futuro e, por toda a sua vida, deixou a felicidade escapar em vão, morrendo consigo na mão.
Deco =)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Converse
Deco =)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Do rebanho
O problema consiste no fato de que esse "bem maior" encontra-se em um mundo póstumo, ou seja, abrimos mão da realidade, visando situações inexistentes no nosso plano. Ahh... O milagre da fé...
Algumas ovelhas, porém, nasceram com uma visão apurada e decidiram abandonar o rebanho. Insanas!
Insanidade é um assunto engraçado.
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Imaginemos uma árvore, chamada Verdade, em cima de um morro. Em uma aldeia de 10 pessoas, 8 olham essa árvore do solo, 2 resolveram subir em uma pedra e perceberam a árvore de outra maneira. A árvore é a mesma, a forma de percebê-la é diferente. Será que é impossível aceitar que existem infinitas maneiras de perceber essa árvore? Ahh... As ovelhas cegas...
Ao abandonar o rebanho, as ovelhas com visão apurada possuem 2 percepções e, com o passar do tempo, a quantidade tende a aumentar.
Insanidade? Da parte de quem?
Para aprender e conhecer as novas percepções, é necessário abandonar o promissor mundo póstumo platônico. Reconhecendo isso, aceitar as idéias da nossa querida casa de pastores torna-se uma atitude errônea.
A liberdade mental é o primeiro passo para esse novo mundo.
Deco =)
